Jornal da Tarde  --sexta-feira 19/01/2001

 Pensão para vítimas de `luta' política

 

Presidente em exercício envia ao Congresso projeto que indeniza vítimas da violência política, incluindo quem sofreu com ações da esquerda armada .  O presidente em exercício, Marco Maciel, enviou ao Congresso quatro projetos de lei concedendo pensão especial a vítimas de violência política durante o governo militar.

O único vivo a ser beneficiado com uma pensão de R$ 500, depois da aprovação dos projetos pelo Legislativo, é o ex-piloto Orlando Lovecchio Filho. Ele teve a perna amputada por causa da explosão de uma bomba, em 1968, em frente ao consulado americano em São Paulo. O atentado foi feito pela oposição armada ao governo militar.

Outros quatro beneficiados com pensão são herdeiros e pais de vítimas do regime militar. O valor máximo das pensões é de R$ 500. O caso de Orlando é um dos episódios dramáticos de pessoas que foram vítimas confrontos e atentados políticos, embora não estivesse em nenhum dos lados das partes envolvidas nos enfrentamentos entre militares e a esquerda. Ele tinha 22 anos quando ocorreu o acidente e contava horas de vôo para tentar a carreira de piloto comercial.

O segundo projeto de lei concede pensão, também de R$ 500,00, a Luiz Felippe Monteiro Dias, filha da ex-secretária Lyda Monteiro da Silva, morta em atentado ocorrido em 27 de agosto de 1980 na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio. Lyda morreu ao abrir uma carta-bomba endereçada ao então presidente da OAB.

O governo tenta reparar também, com uma pensão única de R$ 500,00, os herdeiros de Frei Tito de Alencar Lima, torturado em dependências policiais em São Paulo durante o regime militar, na década de 70.