Drama
Vítima de
atentado se desespera
Da Reportagem
São 1.865 dias de tortura psicológica. É
assim que Orlando Lovecchio se sente por não obter uma única resposta aos seus
pedidos de indenização e de aposentadoria excepcional do Governo Federal.
Lovecchio perdeu a perna esquerda em um atentado terrorista em 1968. Há 15 dias
ele encaminhou um fax para o presidente Fernando Henrique Cardoso pedindo ajuda.
Lovecchio já teve seus direitos
reconhecidos pelo Ministério da Justiça. Entretanto, ele garante que a tortura
causada pela expectativa de quando virá a indenização é pior do que o
sofrimento causado pela bomba que explodiu no Conjunto Nacional, na Avenida
Paulista, onde funcionava o Consulado dos Estados Unidos, e que provocou
ferimentos em sua perna que logo depois teve de ser amputada.
‘‘É uma tortura o que estão
fazendo comigo. Estou ficando desesperado, ando em depressão e só tenho a
Imprensa para recorrer’’, disse Lovecchio, ontem, demonstrando muita angústia.
No fax que encaminhou a A
Tribuna, ele mostra que tem vivido os últimos oito anos contando os dias e
relacionando todos os fatos que saem em jornais sobre vítimas de atentados.
‘‘Há 800 dias um ministro
disse que eu tinha direito mas até agora nada. Não tenho notícias, só sei o
que sai nos jornais’’, lamenta.
Sofrimento — O atentado
terrorista que atingiu a perna de Lovecchio aconteceu em 19 de março de 1968. A
explosão foi promovida pelo grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional (ALN),
um dos comandos de esquerda que usou armas contra a ditadura.
Quando foi vítima do atentado,
ele tinha 22 anos e trabalhava como piloto aéreo privado. O seu sonho era se
tornar piloto comercial. ‘‘Eu estava juntando horas de vôo’’.
Vivendo em situação difícil, ele diz que se não tivesse perdido a perna teria se aposentado em alguma empresa de aviação comercial e hoje estaria com uma aposentadoria de até R$ 8 mil. ‘‘Eu poderia ter sido um piloto da Vasp’’, lamentou.