A TRIBUNA 19/01/01

Luta por indenização vem desde junho de 95

Da Reportagem

Lutando desde junho de 1995 para receber indenização do Governo Federal, Orlando Lovecchio — vítima de um atentado a bomba, que lhe custou a perna esquerda — soube ontem à noite, por A Tribuna, do projeto de lei concedendo pensão de R$ 500,00 a ele e a outras duas vítimas de atentado. ‘‘É uma ótima notícia que vocês estão me dando. Ninguém me falou nada disto até agora’’, comemorou.

  Lovecchio espera que o seu pedido de indenização ‘‘comece a sair da gaveta do Governo. Pelo menos já há um reconhecimento’’. Ele também foi informado por A Tribuna que a pensão precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. ‘‘Considero mais do que justo o Congresso aprovar logo esta lei’’.

  A vítima de atentado lembrou que desde que começou sua luta para ser indenizado pediu ajuda a vários políticos e até tratou do assunto na visita que o ministro da Justiça, José Gregori, fez a São Vicente no dia 22 de dezembro passado. Lovecchio acredita que a decisão teve ‘‘o dedo do ministro’’. ‘‘Pedi pessoalmente ajuda a ele, que foi muito gentil’’.

  Trabalhando hoje como autônomo e com câmeras na Internet, ele diz que vai acompanhar o caso diariamente no site do Governo Federal.

  Lovecchio luta por indenização e também por uma aposentadoria excepcional, a exemplo do que foi requerida por exilados políticos.

  Como foi — O atentado que vitimou Lovecchio (na época, aos 22 anos, estudava Administração de Empresas e era aluno de escola de aviação comercial) aconteceu na madrugada de 18 de março de 1968 no estacionamento do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, onde funcionava o Consulado dos Estados Unidos.

  Na batalha por seus direitos, ele até fez um protesto solidário contra o Governo brasileiro em frente à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Manhattan, no dia 10 de dezembro de 1998.

O santista Orlando Lovecchio deve obter pensão

 

 ATRIBUNA -19/01/01

 Reparação
O santista Orlando Lovecchio deve obter pensão

Da Reportagem

O presidente da República em exercício, Marco Maciel, enviou ontem ao Congresso Nacional quatro projetos de lei concedendo pensão especial a vítimas de violência política durante o governo militar. O único vivo a ser beneficiado com uma pensão de R$ 500,00 é o ex-piloto Orlando Lovecchio Filho. Ele teve a perna amputada por causa da explosão de uma bomba, em 1968, em frente ao consulado americano em São Paulo.

  Outros quatro beneficiados com pensão são herdeiros e pais de vítimas do regime militar. O valor máximo das pensões é de R$ 500,00. Os projetos precisam ser aprovados pelo Congresso.

  Orlando Lovecchio tinha 22 anos quando ocorreu o acidente e contava horas de vôo para tentar a carreira de piloto comercial. Foi ferido, mas não estava envolvido em atividades políticas.

  O segundo projeto de lei concede pensão, também de R$ 500,00, a Luiz Felippe Monteiro Dias, filho da ex-secretária Lyda Monteiro da Silva, morta em atentado ocorrido em 27 de agosto de 1980 na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio de Janeiro. Lyda morreu ao abrir uma carta-bomba endereçada ao então presidente da OAB.

  O Governo tenta reparar também, com uma pensão única de R$ 500,00, os herdeiros de frei Tito de Alencar Lima, torturado em dependências policiais em São Paulo durante o regime militar, na década de 70.

  Depois de ser banido do País, frei Tito suicidou-se em agosto de 1974 no exílio na França, devido a perturbações mentais consequentes das agressões sofridas.

  O último projeto assinado por Marco Maciel prevê pensão de R$ 330,00 a Mário Kozel e Terezinha Lana Kozel, pais do soldado Mário Kozel Filho, que morreu num atentado político em 1968. Mário Filho estava de sentinela em frente ao quartel quando explodiu um carro-bomba no portão de entrada do prédio. (Agência Estado)

Luta por indenização vem desde junho de 95