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TRIBUNA 19/05/00
Revisão
da legislação não anima vítima de atentado
Da Reportagem
A notícia de que o ministro da Justiça, José
Gregori, prepara uma revisão da Lei dos Desaparecidos Políticos (Lei 9.140/95)
e que essa revisão poderia determinar o pagamento de indenizações de três
casos ainda pendentes na Justiça foi recebida com descrença pelo administrador
Orlando Lovecchio. Há vários anos ele espera reparação por ferimentos
sofridos durante o regime militar.
Segundo informações, o ministro
teria afirmado que a revisão da lei vai permitir ao Estado reconhecer a
responsabilidade sobre as mortes de pessoas vitimadas em conflitos entre a
guerrilha e as forças de repressão, mesmo que não tenham estado sob a custódia
do Estado.
Em sua forma atual, a Lei dos
Desaprecidos só indeniza pessoas que morreram ou desapareceram durante o período
em que estiveram sob a custódia do Estado entre 2 de setembro de 1961 e 15 de
agosto de 1979, período de abrangência da Lei de Anistia.
Com a modificação na lei, o
Estado vai ter de indenizar as famílias da secretária Lyda Monteiro da Silva e
do soldado do Exército, Mário Kozel Filho, vítimas de atentados à bomba em
1980 e 1968, respectivamente. A revisão também beneficiaria o administrador
Lovecchio.
‘‘Já me falaram tantas vezes
que tenho direito a receber a indenização, que só acredito quando for
realmente chamado à Brasília. Esse tipo de atitude, de dizer que vão revisar
a lei e de que posso vir a ser beneficiado só aguça minha ansiedade e serve
para piorar o meu estado de saúde’’, desabafou.
Lovecchio teve parte da perna
esquerda decepada durante a explosão de uma bomba no prédio do Conjunto
Nacional, no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Capital, em 19 de março
de 1968. Hoje, passando por problemas de saúde, ele vem lutando há anos na
Justiça pela indenização e por uma aposentadoria especial.
A explosão foi promovida pelo
grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional (ALN), um dos comandos de
esquerda que pegou em armas contra a ditadura. Na época, Lovecchio tinha 22
anos e trabalhava como piloto aéreo privado, preparando-se para passar a piloto
comercial. ‘‘Tive o sonho da minha vida destruído por esse atentado’’,
afirmou.