Agencia
Estado - 04/09/2000
Vítima
de ato terrorista aguarda indenização
Santos,
SP - Durante 25 anos, o santista Orlando Lovecchio Filho tentou
provar na Justiça que não teve qualquer envolvimento com o atentado terrorista
do qual foi vítima, em 19 de março de 1968, quando perdeu a perna esquerda ao
ser atingido pela explosão de uma bomba no Consulado dos Estados Unidos, em São
Paulo. Ele afirma que o sistema de segurança suspeitava de ser ele o responsável
pela colocação do artefato.
Só em
1993, por meio de uma entrevista do próprio autor do atentado, que assumiu pela
primeira vez o ato terrorista, é que Lovecchio Filho se livrou da suspeita. Foi
quando começou outra batalha: a da reparação judicial. "Com apenas 22
anos de idade e o sonho de ser piloto comercial, sem nenhum envolvimento político,
fosse de esquerda ou de direita, sendo apenas um cidadão, deveria estar
protegido pelo Estado", argumenta.
A
tentativa de indenização por parte do Estado acabou frustrada, porque os juízes
entenderam que a ação estava prescrita. Em julho de 95, por meio do projeto de
lei 869/95, o governo propôs reconhecimento e indenização aos parentes dos
desaparecidos políticos entre 1964 e 1979. "Como é sabido, o projeto foi
aprovado, e todos já estão recebendo seus benefícios. Porém, até hoje
continuo sem solução", queixa-se Lovecchio.