Agencia
ESTADO
Segunda-feira, 29 de maio de 2000
Vítimas
de bomba na ditadura poderão ser indenizadas
Brasília
- O
governo vai enviar ao Congresso três projetos de lei para indenizar vítimas de
bombas durante o regime militar. O ministro da Justiça, José Gregori,
apresentou propostas de pensões para o filho de Lyda Monteiro da Silva, os pais
de Mário Kozel Filho e para Orlando Lovecchio Filho. Lyda e Kozel morreram em
explosões de bombas e Lovecchio perdeu uma perna. O governo considera que os três
foram vítimas de atos terroristas durante a ditadura.
O caso
mais cobrado do governo federal foi o de Lyda Monteiro, que morreu dia 27 de
agosto de 1980, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio. Lyda era
secretária e teve o corpo dilacerado por uma carta-bomba. A proposta de pensão
para o filho de Lyda, Luiz Felippe Monteiro Dias, é de 532 Unidades Fiscais de
Referência (Ufir) ou R$ 566,10 por mês.
Ao
saber do projeto, Luiz Felippe disse que qualquer iniciativa do governo em
reparar o fato é "louvável". "Mesmo que o crime fique
prescrito, como dizem alguns juristas, os responsáveis pelo crime serão
julgados moralmente e excluídos da sociedade."
Outro
projeto de lei beneficia a família de Mário Kozel Filho, um recruta do Exército
que morreu numa explosão no dia 26 de julho de 1968, na frente de um quartel,
em São Paulo. Sua família não recebeu indenização até agora porque ele não
era do serviço ativo das Forças Armadas. O valor da pensão foi sugerido em
350 Ufirs (R$ 372,43) e os beneficiários são seus pais, Mário e Teresinha
Kozel.
Também poderá
ser contemplado com uma pensão o administrador e piloto Orlando Lovecchio
Filho, que estava em frente ao consulado norte-americano, no Rio, dia 19 de março
de 1968, quando explodiu uma bomba. Ele ficou gravemente ferido e perdeu uma
perna. O valor sugerido é de 532 Ufirs (R$ 566,10).