FOLHA
DE SÃO PAULO Sexta, 19/01/2001
Governo propõe pensão por atentado
WILLIAM FRANÇA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Enquanto não consegue recursos suficientes para ampliar a chamada Lei dos
Desaparecidos Políticos, o governo decidiu encaminhar ao Congresso projetos de
lei propondo o pagamento de pensão especial para familiares de quatro vítimas
de atentados durante e após o regime militar, ocorridos em decorrência de
"motivações políticas". A pensão será paga pela Previdência.
"Era uma dívida que eu tinha, casos que sempre me doeram o coração",
afirmou o ministro da Justiça, José Gregori, ao justificar os pedidos de pensão.
Segundo ele, a concessão da pensão não invalida eventuais indenizações que
venham a ser pagas às famílias das vítimas.
Segundo Gregori, o projeto de lei que amplia os prazos da lei 9.140/95 está na
Casa Civil da Presidência desde o ano passado. Ele estaria aguardando a previsão
de recursos orçamentários, dentro da proposta da Lei de Responsabilidade
Fiscal. Esse projeto de ampliação eliminará a data-limite da lei inicial, que
é 15 de agosto de 1979, data que coincide com a sanção da Lei da Anistia.
De acordo com os projetos encaminhados ontem pelo vice-presidente Marco Maciel,
serão pagas pensões vitalícias para:
1) Luiz Felippe Monteiro Dias, filho de Lyda Monteiro da Silva, secretária que
morreu no dia 27 de agosto de 1980 vítima de atentado à bomba na sede da Ordem
dos Advogados do Brasil, no Rio. A pensão será de R$ 500;
2) Mário Kozel e Terezinha Lana Kozel, pais do soldado Mário Kozel Filho,
morto no dia 26 de junho de 1968 em decorrência da explosão de um carro-bomba
no portão do quartel onde estava de sentinela. Segundo Gregori, cada um receberá
R$ 330 por mês, embora o projeto de lei trate de pensão única para os dois;
3) Os herdeiros do frei Tito de Alencar Lima, que foi levado ao suicídio aos 38
anos de idade, na França, no dia 7 de agosto de 1974, vítima de perturbações
mentais em decorrência das agressões sofridas em dependências policiais. Serão
pagos R$ 500 por mês a eles,
4) Orlando
Lovecchio
Filho,
que teve a perna esquerda amputada em decorrência de explosão quando, em 19 de
março de 1968, passava em frente ao Consulado dos Estados Unidos, em São
Paulo. Ele ainda é vivo e mora em Santos. A pensão será de R$ 500 por mês,
numa espécie de indenização por ele ter interrompido sua carreira de piloto
comercial.